terça-feira, julho 22, 2008


uma vez puseram a mesa, de uma forma muito formal tantos talheres que eu nem sabia pra quê e o quê cada um servia, e eu não comi nada por vergonha, outro dia já serviram no palitinho, e eu tenho as mãos grandes e ambiciosas, e mais uma vez a falta de tato, me deixou com fome, e agora estou comendo com as mãos pra aprender eu te confesso Aznavour nem foi tão bom quanto escreveste, horas desceu, amargo e outras, sem graça. Ainda estes dias tive vontade enorme dos cigarros, mas me contentei com bombons, eu acredito e espero que uma hora isso passe, confesso também, aqui nestas linhas puídas, que quase morri, houve momentos que em que senti a falência do corpo, lentamente eu vi as imagens se desligando pouco a pouco, e no fundo mas bem no fundo eu ouvia respira fundo, precisei de agua muita agua, sempre estive ligado a ela de alguma forma, as vezes eu sinto umas pontadas no peito, e isso me faz lembrar que eu outro dia comendo com as mãos, fiz a besteira de deixar cair boa porção da "colherada" no chão e fez falta, e como fez, meu estômago por alguns instantes fez sim, eu quero de agora em diante comer devagar, eu mastigo rápido as vezes eu até nem mastigo direito, mastigar é um hábito que exige tempo, e tempo é precioso vocês sabem disso, e as vezes eu gostaria de me jogar de algum lugar, de sair caminhando, mas eu sabia que se fizesse algo seria a ultima refeição, depois eu senti tudo aquilo que eu disse aí em cima, fiquei meio desnorteado, mal consegui dormir, aliás dormi seco, pesado, em vagos momentos que consegui acordei na ideia de ser domingo, atrasado, todo errado, e com o inchaço no rosto, fui à luta de mais um meio dia de trabalho, até que os problemas profissionais foram muito bem digeridos, mas te reconfesso que a minha cabeça sempre estara presa pro depois do meio dia, em mim, eu achava que estava tudo bem, mas foi ela chegar e eu saber que não estava, e não estava mas tudo foi correndo conforme os nossos planos e encontramos a agua, ficou tudo bem, eu vi duas crianças, pensei nas minhas e pensando neles, eu não pude deixar de pensar que nada alheio ao meu passado possa afetar-lhes, não vou deixar esta desconfiança chegar a eles, mas não sei ainda como resolver este algoritmo, me senti tão bem em beija-la naquele imensidão de agua doce, fiquei leve, mas sabia que aquilo ainda me consumia, há muito tempo eu não sentira aquela ira nos meus olhos, e doeu, doeu muito, parece que foi ontem que eu fiz aquela merda toda, isso me segue e cruelmente morde pedaços de mim e do que no momento eu tenho mais importante, passei o domingo meu tristonho, (apesar de estar em família) engoli o gosto amargo a segunda inteira, até vê-la, espero velar por nós...

"dos muitos que viram você aqui disseram que mal você não faz"

terça-feira, junho 24, 2008

EU NÃO SEI NADA SOBRE PLANOS

DESCULPE A MINHA INCOMPETÊNCIA HOJE EU NÃO PUDE ESCREVER NEM DIZER AS COISAS QUE SINTO HOJE, HOJE PRECISO ESVAZIAR A CABEÇA, REORGANIZAR.. ESPERAR O ÔNIBUS QUIETO, PRECISAVA ATÉ FUMAR UM CIGARRO, MAS ESTE ESTÁ FORA DE COGITAÇÃO, DESCULPEMM.. DESCULPE VOCÊ TAMBÉM.. AS BABOZEIRAS MINHAS, HOJE EU NÃO QUERO PENSAR EM NADA...QUERO ME MATAR.. HOJE EU NÃO TENHO SENSO... FEELING... OU QUALQUER COISA QUE OUSE REPOUSAR NA MINHA PELE.

Love is the word I said a million times
..TO YOU
NÃO COBRAREI NINGUEM PELAS COISAS QUE TÊM ME ACONTECIDO

segunda-feira, junho 23, 2008

tempo tempo tempo...mano velho


Hoje eu vim aqui cuspir meus delírios sobre o tempo, tempo este que me fez muito mal, que jogou no calabouço na companhia dos ratos, das baratas, das coisas da madrugada, que me trouxe a florista, que me arrebatou dos corais, sim ainda sim aquela história, hoje vim falar que o tempo é um espadachim sábio e cruel, que suas adagas ponteiriças, te confesso autor que ele não tem sido bom com a nossa época, nós estamos por ai obedecendo uma ordem que não se valida por si, ainda ontem quando estava tontinho, pensei nas coisas que o tempo me fez e me deu, e agradeci às duas ocasiões, vemos ai o Dunga e seu tempo sacramentado à sua sina, vemos a queda dos estadistas vencidos pelo tempo da ordem absoluta, absoluta com o povo, absoluta como eles, vemos o tempo dos jovens fadados ao que comem, ao que se dragam, ao que se acham saber, vemos ainda o tempo dos velhos, que já foi muito, que alguns até esperneiam a pressa de seu tempo, mas que alguns dão risada da derrota pro tempo, mas o meu coração selvagem violentado pela praga do amargo, veio dizer do tempo destas coisas singulares do planeta, vim contar tempo pro tempo me dizer de si,não quero as respostas do tempo, quero as perguntas queria saber saber que perguntas ele me fará daqui a um minuto, é um queira não queira danado de segundos angulares a fio, a se consumir, a confundir o mais exato e certificar o confuso, e quem são o mercadores disso tudo? são todos uns podres sobre seus relógios de ouro, mas o verdadeiro tempo, das areias do consumo, do insumo vital, da percepção este sim é indomável, como o tempo das saudades, da infância, da velhice, este está acima do ternos, das roupas caras que estes por si mesmo já se consumem em pouco tempo, "take it easy my brother Charles" vim contar que este tempo todo estava tudo muito pesado, muito inquieto dentro das coisas, que o tempo consome e some com algumas coisas da gente...

terça-feira, junho 17, 2008

traição segundo Amaury


ouvindo aquelas conversas de escritório, a conversa entrou em um assunto muito delicado : traição. Segundo Amaury meu chefe:"traição é o campo das mulheres, eu tenho maior respeito por elas porque elas conhecem bem", titubeei com esta afirmação dele, com o sorriso sacana na cara ele me perguntou num é não, eu confirmei, confirmei pra não criar caso, mas eu tenho lá as minhas discordâncias, eu já traí eu sei o que é isso, é lamentável mesmo eu sei que já traí, foi quando a Edla disse de lá "as pessoas só reconhecem quando perdem", não confirmei, a traição segundo a minha pessoa, que já esteve em ambos lados da moeda, nem sempre é porque você não tem carater, o ser humano, enquanto não se encontra ele precisa se aventurar, até ele não receber aquela mensagem no meio da cabeça dele, aquele instante de misto de solidão, alegria, tristeza, paz e guerra, ele há de continuar traindo ele precisa se sentir despedaçado, precisa manter -se em pedaços, pelo menos digo isso de mim, precisei de uma traição pequena e doente, o problema é que a maioria das pessoas assistem a globo e acreditam demais nas verdades doentias e pederastistas do Nelson Rodrigues, taí um escritor que pra mim não vale merda nenhuma, (quem é ele pra dizer das alturas dos meus abismos?), a realidade do mundo é o mundo próprio de cada um, não vou negar que tem gente que gosta de trair tem este instinto consigo, mas eu não me enquadro nisso, precisei trair pra me quebrar de vez, pra me mostrar que eu não sou perfeito, pra me deixar chegar ao fim do tudo, sem condições para os acasos das balelas das noites de festa, eu acho que quando se trai se conhece o horror próprio, ainda que muitos quase todos achem, que tudo foi festa, que saíram do campo ganhando, mas a verdade é que perderam-se na boca do qualquer, e agora lançaram-se em mar aberto ao paladar dos tubarões, os traidores são a comarca dos naufrágio das embarcações, entendo que pra se trair é preciso peito, pra se confessar tal traição, é preciso ser um pouco gente, dar a cara a tapa, compreender na profundidade do negro da vida, que você está ao léu, esperando a mão amiga ou o amargo do féu, não me envergonho do que fiz, a única coisa de bom que aprendi é que as pessoas são pistolas automáticas e frias, mas há também aqueles construtores constritando este mal dos escuros olhos destes naufrágios, tive sorte dela ter me tirado daqueles corais com vida, tive sorte mesmo de saber que ainda havia esperança pra mim...hoje eu sou leal, como uma bandeira à seu brasão, porque aquela mão amiga...sim aquééééla que me livrou dos corais naquele dia com seu abraço de polvo me ensinou que trair é não encontra-se mais em si, mas que tem solução...e confiar....e eu devo muito a esta mão...e pus minha vida a mercê dela, e se um dia ela me devolver àqueles corais eu entenderei... eu vou ter a certeza de ficar lá lembrar que um dia estive em águas tranquilas, e se voltei foi porque mereci....

segunda-feira, junho 16, 2008

Vinhos...fomos...


Hoje eu vi num céu cinza num frio e pesado, na cabeça do cachorro morto que estava no ponto de ônibus, um mal, descobri que sofro de um mal terrível, fico vulnerável quando fico sem vê-la, minha força de leão esvai-se, a combinação deste cenário fantasmagórico, me fez tremer, pela manhã não resisti aos delírios do meu telefone, sentado no meu altar, com meus adornos, olhei fixamente pra ele, e pensei "não nem aí se eu atrapalha-la", liguei pra ela e ou vi um "oi" agoniada como sempre, a ideia de um sorriso lindo atrapalhada e eu fiquei bem.



Domingo 15/06/2008


estava ae a tarde inteira soldando coisas, com medo de fazê-la esperar, dae discutindo altas teorias sobre frequência, sinais de spectograma, ondulação de nuância de sinal, entre um cigarro e outro ele me perguntava, "mas me fala aí, você tem certeza?" eu disse sim, tanto do que eu havia feito do que eu estava fazendo, como do que eu estava por fazer, mas a verdade é que eu não sei bem ao certo o que eu tenho de fazer, sei que posso ser muito bom, é questão de empenho, mas pra ela eu quero ser o melhor, que domingo louco, as horas correram furiosas, minhas mãos doíam, o céu escolhia as paletas de cor da noite que se aproximava, foi quando deu a hora eu me despedi dele com um abraço longo, e um tapinha nas costas de até mais, bjo na tia, e eu fui pra um encontro que foi muito diferente do que eu esperava, eu a encontrei, e é incrível, eu tenho tudo programado na cabeça até ela dizer oi, quando ela me diz "oi", eu sou dela, a minha vontade é o que ela decidir, e se ela quiser voar eu crio asas dos meus braços suficientemente poderosas, pra leva-la até o mundo que ela quiser, e ela queria vinho, me contou sobre a noite passada que bebeu um vinho e dormiu, então vamos beber uma garrafa nós dois agora, fomos caminhando pela Djalma Batista, compramos uma garrafa de um vinho barato, voltamos conversando a esta altura do campeonato eu já era completamente os passos dela, eu fiquei brincando com as minhas mãos nas mãos dela, não sabia se eu a mordia se eu a beijava, a única certeza ali era que eu tinha de ser demarcado por ela eu tinha de estar impregnado por ela, nem a sandália quebrada, nem as formigas de fogo, nem o sol da noite nem nada, nada podia me deter de senti-la, eu lembro de chorar por culpa de umas feridas que estamos curando com a ajuda do tempo e da verdade, foi difícil confessar a ela e ouvi-la, descobri que eu não sou tão homem assim, mas começo a ser, admiti todas as culpas nos cartórios, todas as firmas reconhecidas ou não, eu disse pra ela que eu sofro de uma morte de lenta e perigosa que me toma por dentro há anos a fio, disse que ela tem me curado gradativamente, pedi perdão a ela pelos punhais que cravei nos peitos dela, tomado pela cegueira dos meus vícios, do meu jeito idiota de ser, do meu lado demoníaco, aquele mesmo que me tomou naquela viagem de ácidos naquela noite, me confessei a ela, e disse que não espero nada de volta dela, só sei que tenho de ama-la, que não tenho motivos pra isso, não sei como explicar mas a verdade é que naquela sexta a uns dois anos atrás, ela me balanceou, retirou uma uma fina lasca de gelo que se hospedava há algum tempo, beijei algumas bocas com um lábio frio e áspero, mas ela não, não sei bem explicar, mas ela foi um acidente de carro a mais 380 km/h de frente num muro passei dias atordoado, não quis incessantemente acreditar nisso, mas a verdade é que hoje eu sei que naquele dia ela tinha sido a lança, ela transpaçou certeiramente ela diz que foi eu, mas eu sei que foi ela, tenho certeza disso, tenho certeza que naquela noite apesar de tudo que eu fiz depois daquilo, tenho certeza ali eu segurei a mão dela e ali começara a minha salvação, foi ali que os ponteiros do relógio se alinharam numa nova era, mas eu como sempre fiz besteiras no meio do caminho, que me mostraram o quanto era grande a mulher com quem eu estava lidando, e eu tenho um medo incrível que os meus demônios (que são muitos) se soltem, e estraguem tudo, mas sei que de alguma forma ela os amansa e eu acho isso incrível eu já vi ela fazer isso umas três vezes, vi que ela sabe lidar com a força mais poderosa e maligna que eu concentro dentro de mim, sim ela sabe me dobrar com um olhar, a verdade é que hoje eu sou dela, que eu seria o sol se ela quisesse calor, o barco se ela quisesse o mar, a paz se ela quisesse dormir, a verdade eh que eu me faria em pedaços pra que nada a possa atingir com eu o fiz, chorarei todas as vezes que lembrar daquilo, hoje ouvi summertime da Janis vim lacrimejando dentro do ônibus lembrando de como o meu coração fica bem quando você o guarda... desculpa as minha tolices, meus desencantos, deslises, eu não sou perfeito mas estou me esforçando ...e em verdade te digo, foi você sim que acertou sem excessos de munições....where is my mind ...








quinta-feira, junho 05, 2008

em contra-versão (versãozão) - Sargaço Mar


eu não sou a pessoa, as vezes delirantemente tenho ciume de mim, ela disse "pessoa", quem Fernando Pessoa?, cada vez que escuto isso, sinto a refração do meu eu num espelho concavo, ou seria convexo?, com pequenas fagulhas de vidros cortantes, ae me veio na cabeça o seguinte pensamento "o meu eu é a unica coisa que pode tomar tudo de mim", achei profundo isso, as vezes eu fico pensando que eu meu ela gosta?, qual deles ela ama mais? na maior parte do tempo sou quem? por exemplo hoje estou em guerra, hoje a paz é a armada mais uma vez, (admito que me deixo tomar de vingança), tenho olhos de chuva sempre, mesmo quando o sol é de matar, ainda ontém eu era o cão na terra, encontrei ela, sem a interrupção da terceira pessoa, ai eu sinceramente odeio esta terceira pessoa, porque esta pessoa é da vida dela, mesmo sabendo que sou eu, eu fico furioso, mas eu me controlo, sim eu tenho ciumes dela, de quem tenta impressiona-la, de quem tenta persoadi-la, de quem sabe que eu estou aqui, pelo amor de deus...ahh sacanagem, tenho ciumes desta terceira pessoa, que não me respeita, que abraça ela, e dá os xeirinhos que eu só eu posso fazer... ah eu fico até sem jeito comigo as vezes me olho e penso seu sacana nunca mais chegue perto dela... só eu posso só eu!!!! só dividirei ela com os pedaços de mim... sim eu tenho raiva das coisas que entram NO MEU TERRITÓRIO sem a minha autorização...

terça-feira, maio 27, 2008

UM DIÁRIO DE MAIO DE 68

José Ribamar Bessa Freire01/06/2008 - Diário do Amazonas


O poder instituído organiza a memória coletiva, inventando lembranças e, em conseqüência, determinando o que deve ser esquecido. Ergue monumentos a alguns personagens, que passam assim a ser ‘atores da história’, e silencia sobre outros, que deixam de existir, mergulhados no olvido. Nesse processo de memória seletiva, muita coisa é escondida, ocultada, jogada debaixo do tapete. “O passado é aquilo que não passou do que passou”, nos ensina o poeta João Cabral de Mello Neto. Nesse sentido, o passado não está antes, mas dentro do presente, a memória é construída.
O Museu Paulista, por exemplo, erguido lá, nas margens plácidas do Ipiranga, exibe estátuas gigantescas de mármores dos bandeirantes, apresentando-os como heróis nacionais: estão lá esculturas de Raposo Tavares, Fernão Dias e de todo o Esquadrão da Morte, convivendo com a estátua de bronze de D. Pedro I e com estatuetas que decoravam as mansões da elite brasileira. Suas vitrines mostram dezenas de estojos contendo cachinhos e mechas de cabelos de senhoras da Casa Grande, mas não tem nada da senzala, nem sequer um pentelho de um índio ou de um negro.
Existe assim uma intenção deliberada de apagar a resistência e a contribuição de negros e índios para a formação do Brasil. E não é por falta de ‘atores da história’. Em sua tese de doutorado sobre a Amazônia, David Sweet apresenta uma longa lista com nomes de 98 índios que lutaram contra o poder colonial português só nos rios Negro e Urubu. Nenhum deles é oficialmente lembrado. Não existe sequer um beco com o nome deles. Não foi por mera coincidência que o zoólogo Hermann von Ihering, diretor do Museu do Ipiranga no final do século XIX, propôs o extermínio físico dos índios. A memória é um campo de disputas acirradas. Aquilo que uns querem esquecer, outros lutam para lembrar, como vimos recentemente com as comemorações do movimento de maio de 1968, na França. De um lado, o presidente Sarkozy declarou que quer apagar o que chamou de “herança maldita”, mas de outro acabam de ser editados os arquivos inéditos sonoros da RTL, com as gravações dos programas de rádio que cobriram os acontecimentos da época: viaturas da polícia incendiadas, barricadas, prisões, centenas de feridos, a Sorbonne ocupada, depois de declarada “comuna livre” com o hasteamento de uma bandeira vermelha.
Os arquivos sonoros da RTL mostram que a rádio foi para as ruas. Reportagens, discursos, entrevistas, correrias da polícia, bombas de gás lacrimogêneo, a respiração ofegante do repórter que grita no microfone: “Cuidado! Uma pedrada!”. Passeata em Paris no dia 13 de maio com 800.000 pessoas cantando: “Ce n’est qu’un début, continuons le combat”. Entrevistas com o líder estudantil Daniel Cohn-Bendit, ainda em 22 de março, quando os alunos ocuparam a universidade de Nanterre. Depois, vem a cobertura da ocupação da Sorbonne, no dia 3 de maio, com a fala de Alain Geismar, os discursos do poder: De Gaulle, Pompidou, Chaban Delmas.
No entanto, existem alguns depoimentos pessoais, que ficam de foram da memória oficial, mas que mostram o peso da história no cotidiano de pessoas anônimas e comuns, como nós. Uma professora universitária, Anne-Marie Milon, minha colega na UERJ, enviou e-mail comentando o que escrevi aqui há duas semanas sobre o movimento de maio de 1968. Ela estava lá, nas barricadas do Boulevard Saint Michel. Em plena efervescência, conheceu um estudante brasileiro que se tornou seu companheiro, o que mudou sua vida e seu destino, trazendo-a para o Brasil. Fez um diário, onde foi anotando o que estava vivendo.
Em 1968 Anne-Marie Milon, hoje Oliveira, era uma jovem estudante de Letras Modernas na Université Paris IV – a Sorbonne. O seu relato é discreto, sóbrio, não registra grandes gestos heróicos ou épicos, do tipo que foi criticado por Joaquim Ferreira dos Santos numa crônica carregada de ironia, publicada em O Globo (26/05/2008). Ela me enviou por e-mail alguns fragmentos de seu diário que merecem ser compartilhados com os leitores.
“Prezado Bessa, amei seu artigo. A grande maioria do que vi publicado nesses dias me parece tão longe do que vivemos. Você não estava lá em 68, não é? Mas parece que sim”.
“Eu era estudante de letras, na Sorbonne. No primeiro dia ( 3 de maio), não sei porque, percebi que algo diferente estava acontecendo. Estava lá, na biblioteca, vi os primeiros acontecimentos. A polícia cercando, a manifestação se formando. Comecei a escrever um diário. Hoje releio este diário com emoção: as ingenuidades da idade me fazem sorrir, mas também me vejo mergulhada de novo naquele clima extraordinário que nunca mais vivi.
“Maio, como você sabe, já é um mês "quente" e, sobretudo, os dias são longos. Eram interminavéis... e tínhamos todo o tempo do mundo! As discussões no grande anfiteatro – o "grand amphi" - tão enfumaçado que mal se conseguia ver o outro lado e, talvez a lembrança que mais marcou: os grupos se formando nas ruas (no "Boul´Mich´" que você cita no seu artigo), as pessoas se encontrando... desconhecidos discutindo em rodinhas na calçada com paixão, ouvindo, aprendendo... Falaram de tanta coisa... de "happening", etc. Para mim foi isso, um imenso encontro que abriu tantas portas e janelas no meu universo de estudante bem comportada.
“E os filmes do Glauber... a Bossa Nova... dando cada vez mais força ao meu desejo de ir para a América Latina - a América Latina de Cuba, do Che... Mas também, para mim que era ainda muito ligada à Igreja Católica, a América Latina do Camilo Torres, da teologia da Libertação, daqueles bispos tão corajosos do Brasil que conhecia pelo nome. Foi em 15 de maio de 68 que conheci o Zé Luiz, meu companheiro.
“As barricadas, sim, foram uma "revivência" da Comuna de Paris. Refazíamos a Comuna esmagada no sangue de dez mil parisienses. Lutei também na retaguarda, nos fundos da Sorbonne, fazendo sanduiches kilomêtricos com baguettes doadas pelos padeiros de Paris e máscaras contra gás lacrimogêneo (dois "modess" costurados num retângulo de pano e mergulhados numa solução de bicarbonato de sódio. Com óculos de mergulho, dava para agüentar meia hora na barricada!)
“E desfilei cantando a Internacional. Esta alegria de se sentir imerso numa multidão imensa, eu só reencontrei nas "Diretas Já!".
“O mais lindo foi quando, vencendo a oposição férrea dos sindicatos, os operários se juntaram a nós, retomando, como dizia um dos milhares de slogans da época, ‘a bandeira da revolução’ de nossas ‘frágeis mãos’ de estudantes".
“Obrigada por me fazer reviver um pouco destes momentos tão importantes na minha vida! Um abraço. Anne-Marie”.

quinta-feira, maio 22, 2008

palavras pesam mais

foi como se sentisse um murro, entre por entre os meus punhos em posição de defesa, veloz como um raio e pesado como uma tonelada acertando o meu o queixo a uma velocidade extraordinária, foi tão forte que no momento expulsou todas as minhas ideias, raciocínios rápidos, balançou tão forte a minha cabeça, que tudo que tinha dentro até mesmo as minhas lágrimas caíram no chão, se perdendo entre as bitucas de cigarro, as casquinhas de bombom de hortelã, rótulos molhados de cerveja, o que lembro depois do que ela disse, era só de dois homens disputando um jogo ao qual eu não conheço, mas lembro que um deles disse "quanto mais me esforço pra tentar ganhar, mas a atmosfera destas peças me jogam num beco sem saída, parece que a qualquer hora você vai empurrar este punhal no meu coração, de vez, estou perdendo"foi isso que senti, foi um golpe tão duro, que eu não tive nem tempo de chorar direito, foi tão esmagador, que os meus sentidos se apagaram antes mesmo de sentirem algo, black out, depois lembro de subir no micro, dae em seguida lembro de um abraço que foi pior talvez porque realmente este abraço, me tirou tudo da cabeça, ela levou consigo o pensamento de chegar em casa, dormir tranquilo depois de um dia difícil, dae em seguida eu lembro de parar no posto de combustível e fui abastecer-me de vazio, me enchi tanto que até a uma certa altura quando sol já tentava se apresentara lembrei que tinha casa, lembrei já era um outro dia, e minha avó diz que "quem toma banho por ultimo fica com a cara de ontem" e confesso que pretendo deletar ontem do Hd, ou melhor do pouco do hd, dae já lembro de chegar em casa completamente bêbado, de olhar pro meu cachorro, que parecia que entendia o que eu sentia, ele não pulou em mim, não me lambeu, não fez de cara de feliz, ele simplesmente me escoltou até a porta esperou eu abrir e fechar me olhou como quem diz"amanhã a gente conversa tah?" dae lembro que deitei na cama e a bebida girou a roda da fortuna e acordei com um gosto amargo que espero que passe....

sexta-feira, maio 09, 2008

Polaróide


Todos os dias antes de eu mergulhar-me nos artefatos da vida cotidiana eu me pego pensando nas paisagens urbanas, que por nós simplesmente foi posta ali, na esquina em que você dobra todos os dias, aquele novo tom de luz quente que dá um ar de nevoa porque refracta num outdoor e vai fazendo você relaxar a cada passo apressado que se acalma dentro de nós ou de mim não sei, venho diante destas letras que vão rebolando em dlls, foi assim nos silêncios dos integrantes que a banda se afundou, os instrumentos não dançaram mais entre si, o silêncio pesa e silencia em cada acorde solitário, mirado à outras caixas valvuladas, no tópico passado perdi o amigo que em lugar algum sabe chegar, que tem razão de tudo, que está na calçada do 15 contando horas até uma outra chance aparecer...sonhando, alguns amigos perguntam e a Remanescentes, eu digo não sei, acho que perdi meu cargo (respondo com um sorriso amarelo), mas retruco rapidamente culpa minha, é verdade culpa minha, agora "renascendo das cinzas do punk rock hardocore!!!", mas não se soa pesado, agora seguirei o que ele foi fazer, trabalhar como uma formiga, dentro da toca, pelo menos eu já consegui melhorar a qualidade das minhas gravações, o bom é que no meio de todas estas perdas eu voltei a escrever poemas que tocaram de novo, vamos à viagens através de musicas mais sinceras, não algo pré-fabricado, porque eu estava analisando que agora a onda é se disfarçar de auto independente, todo mundo faz tudo só, eu posso estar errado,mas vou apostar no meu erro, tenho competência pra errar, eu não vivi o bastante, pra estar sempre acompanhando as novas ondas, prefiro esperar navegando em ondas distantes desse "bafafá" media, os meus guideds by voices da vida estão em fervor , uma brasa mora parente, acho que vou me juntar à causa da reserva Raposa do Sol, tadinho do "sêo" "Quartiêro", nunca mandou bala num indiozinho, tá lá em Brasília injustamente preso, só uns indiozinhos, pelo menos ele não pôs fogo neles como o pobre Galdino que foi incendiado, talvés lá eu não seja uma perda de tempo, e assim estamos distanciando-se nos convites apáticos, nas maneiras de dizer que o volume esta abaixando, que a luz vermelha do Augustinho já brilha forte ao norte, aprendi muito, isso é importante, mas acho que este tempo todo de banda, a coisa mais importante que eu aprendi foi a manter o compasso firme, mesmo que os dedos tornem a doer... fazendo coisas na distância..lá onde os olhos não possam ver.. prosseguir é o que há, vou tomar umas terras indigenas por aí.

terça-feira, abril 15, 2008

Poema para a minha Margarida a mais bonita.



pra escolher os olhos eu escolheria os seus
pra sentir o vento preferiria a sua mão seu toque de petala
pra aconselhar meu coração eu escolheria seu silencio
pra voar em direção ao sol escolheria a frieza do seu olhar
se fosse pra explodir o mundo eu te observaria dormir
pra pensar na minha velhice eu esperaria sentir
pra cansar de sorrir eu te aperrearia
se fosse pra escolher minha fome teria a fome de ti
pra tentar cair em desespero te escolheria como cama
pra acordar no meio da noite te chamaria de madrugada
pra acolher as tuas lágrimas te transformaria em dias de chuva
pra pensar alto eu ficaria no seu colo num dia frio sem carros no trânsito
pra atravessar o mal eu seguraria a tua mão
pra falar de mim tu serias ouvido, barulho de cachoeira
como se pudesse estar feliz tal agua em ribanceira
seu fosse pra enlouquecer que fosse diante do seu sorriso
tímido esguio no contra-luz das luzes do poste
pra embelezar o tempo seria chuva de agua orquidantes
dizem que tu és bagunçada, que bagunce a mim também
pra curar-me doses homeopáticas infinitivas das tuas pétalas
asinhas de borboleta que eu temo tanto
pra cair em estado de graça margaridas menores vindas de ti
com todos os teus trejeitos de se mover contra o vento
pra cuidar de vocês as minhas margaridinhas lindas
infinitos beijos desta abelhinha (embebida dos seus pólen) que os ama tanto...





terça-feira, abril 01, 2008

ao amigo perdido


em algum lugar no tempo perdido e entre as poças de lama próximas da ponte de madeira deteriorada onde determinava as fronteiras nucleares, ali naquele cenário sujo eu deixei de contar contigo, algumas pessoas de muito apreço já haviam me dito, que você é um ser sem lado, você esta do lado em que te oferece mais,que você é uma pessoa que mendiga atenção, e digo sem motivo, que você só lamenta sem reparar aonde deu errado, sem ouvir a verdade diante dos cachorros vagabundos da rua, só me vem a ideia de tolerância e respeito, havia também próximo deste lugar, pedaços de letras que indicavam seu nome, havia uma turva e suspensa sensação de desgosto, por algumas coisas que eu te fiz, e por mistérios que eu não criei, mas que a língua suja da rua soprou nos teus ouvidos e você no alto da sua razão desconsiderando todos os bens vitais para que aquilo sobrevivesse, acreditou, você foi uma pessoa cativada, procurada, por aquele que domina as palavras e que hoje não podendo mais apagar as manchas das letras, escreveu tanto que você virou página virada, num lugar consiso e seco dentro da história, você invadiu a as palavras dele e muitas vezes participou das escolhas literárias que foram de muito grado, guardarei a suas coisas debaixo do armário, é hora de retirar você dos mostruários das estantes assim disse o homem das letras, sem guerras , sem mais conflitos, as palavras hão de se retirar em silêncio.

segunda-feira, março 31, 2008

Thiamats (Umpluged for a moment)



Manaus - A separação da Tiamates é só um mito. Nesse momento, cada um cuida do seu projeto paralelo após o terceiro disco de sucesso "invisible candiru attacked me over the jurua river"
Quando foi anunciada as ferias da banda, que se encontra a beira da exaustão após a turnê por Barreirinha, Santo Antonio do Içá , Borba, Cabeça do cachorro, Orelha do cachorro, Língua do cachorro, Olho do cachorro, Peido do cachorro, Costela do cachorro, Cachorro quente e boca do Acre, fãs entraram em desespero e invadiram o Núcleo 15 sem nenhuma razão aparente destruindo um mendigo que atendia pela alcunha de "my friend",o que não resultou em nada visto que nenhum integrante mora la, mesmo neste momento de férias a banda já pensa no novo disco que a principio deve se chamar de Anus Kongus, uma singela homenagem prestada ao baterista da banda.


Agora, a Tiamates aproveitara suas ferias e tocara seu novo projeto "there was a little girl eating farinha in manaquiri that I love" somente em 2010. (Agencia Reuters)

Fica decretado abstinência do projeto La Poderosa Tiamats Verdes Fritos, porém o retorno será incrivelmente profano e eterno! Até a volta aos amigos vamos pedindo encarecidamente que continuem comendo o jaraqui da balsa da travessia do São Raimundo que estes dois anos sejam breves, e que possamos todos juntos virar altas doses de mentinha do poder no largo São Sebastião, como nos velhos e bons tempos.

sexta-feira, março 28, 2008

também se chamavam sonhos


gosto de estar entre os poucos amigos que tenho, houve uma época atras em que, nós éramos muitos amigos íamos ao Porão quando este ainda não era tão prostituído pela classe elitista que põe qualquer coisa pra si sem saber o que qualquer coisa realmente representa, no tempo da sopinha de feijão pra ser mais exato, e nós sentávamos e ficávamos juntos pelo prazer de ver o próximo com as suas alucinações, boa época, mas cada um faz seu destino, barcos a deriva em verdades próprias, ontem quando um dos remanescentes daquela época me ligou, passou um filme na memória, de todos os brindes "à boa e velha putaria", engraçado como vieram detalhes, se você sabe me diga quem eu sou, no meio desta mistura de infinitos fluídos que estão no tubo de ensaio inertes, inerentes, incompreendido, muito se foi é verdade, quero deixar bem claro, que agora há ex- velhas amizades, novas inimizades em repouso, esperando a primeira flechada no orc, preste bem atenção nisso, estou por enquanto esperando a primeira fitada pra atacar gosto de ter inimigos em potencial, gosto mais dos meus inimigos do que dos meus amigos, eles estão no meu coração já dizia Severino de Aracaju, "morro!! mas levo todos comigo!", é isso mesmo os misseis de cuba estão apontados e em bom estado de conservação, radiação saindo pelos olhos, mas calma apesar disso tudo, estou em estado de repouso, até porque tenho de guardar energia, pros meus camaradas, penso que agora que agora tenho facas, gumes afiados e muitos faqueiros abarrotados, vale-se frisar que numa faca suja de sangue por enquanto, mas confesso que quero ver você dançando na ponta da faca molhada de sangue dos seus olhos, quero salientar ainda que estou em tempos de pós guerra fria, toda paz é fundamentada em momentos de paz, acredito em tudo que escutar se vier de você, orelhas em pé sempre, o conceito de lealdade nos tempos de hoje anda meio esquecido, mas se incomoda o que os outros pensam, ou o que vão pensar, diga a eles que há muitas verdades à venda nos melhores shoppings centers da cidade que não são muitos, sim hoje meus demônios estão todos soltos e suas taças de sangue empunhada em mão direita, mãos de guerra, eu sou a guerra hoje, quero delirar em ira, quero extraviar tudo aquilo que a minha mente acha que é certo, quero deixar só exato, tenho mil anos de fúria pra destruir vocês, estou só esperando o seu sinal, eu e os meus demônios, mas hoje nós vamos nos divertir, logo a noite eu serei paz...mas paz armada...

quarta-feira, março 26, 2008

tenho sonhado bastante?


enquanto eu esperava o ônibus ontem, de volta pra casa, ouvindo (Whats the Story) Morning Glory, do Oasis, pensei comigo, que disco bom, ouvi no mp3 de cabo a rabo varias vezes, Roll whit it, e este trecho me chamou atenção:
I think I've got a feeling I've lost inside - Penso que eu tenho a sensação de que eu estou perdido por dentro.
foi quando eu percebi que havia perdido vários ônibus percebendo que eles estavam passando e sem saber o porquê eu não havia entrado, na verdade eu estava cansado, mas não entendi depois que o ultimo se foi, eu fiquei pensando será isso: I think I've got a feeling I've lost inside, e me passou na cabeça um monte de idéias da degradação do tempo em espaço aberto, passou pelas idéias de tempo sonoro, aquelas horas que você passa batendo o pé contando o tempo certo de fazer aquele "Bréck" esperto com os amigos da sua banda, os olhares à noite enquanto vocês estão tocando aquela viola naquele bar que sempre vão tomar uma cerveja, conversar sobre as mudanças climáticas, os mayas, os incas, sobre a falta da política publica da cidade, sobre a incoerência dos outros para com a falta de verdade, ou apenas rir do tempo. Você sabe que eu tenho que dizer que o tempo escorregou por aí, o que eu farei enquanto eu olho para você, que ando sem tempo pra ir por aí e correr atrás de tempo, eu vejo sinais muito rápidos passarem pelo meu monitor e eu quase sempre deixo escapar alguns símbolos pelos dedos da minha mente, eu sinto que não sei o caminho de volta, mas tudo eu ando pra frente mesmo quando eu estou derrotado eu ando pra frente, porque o tempo vem hora ou outra e destrói todos os abrigos que eu construi lá atrás, espero que este castelo seja como uma fortaleza tão grande e firme que possa ser vista do sol, quero comprar nuvens tão densas pro sol não me ver de lá e aí sim eu estarei bem protegido,aliás eu prefiro dias de chuva, espero estar falando bem alto agora, eu quero que todos nas ruas ouçam o meu silêncio diante disso tudo, mas acho que todos estavam ocupando os olhos na grande arena da TV, não sinta vergonha é verdade foi isso que conformou, e eu fui bolando pelas ruas dentro do próximo ônibus que passou, observando a velocidade com que as luzes dos postes passavam, e eu fiquei pasmo que já eram oita da noite e a chuva da noite caia fina, e eu acredito que ninguém reparou muito isso, ainda desci do alado, subi mil pés e vi lá por cima da chuva que eu tenho de dar uma longa volta em contorno do zero da álgebra, do ponto zero da função, imprimir todos os falsos trajetos, reaver com os homens da escrita vermelha a minha situação, eu vou conseguir tempo pra isso prometo em nome da nova eleição que vem vindo, prometo em nome do descaso com os bairros de Manaus, em nome dos buracos nas ruas da cidade, prometo em nome das mudas que a prefeitura disse que ia plantar e não plantou, da destruição da imensa área verde pra construção de um shopping pra uns e outros irem ver o jacaré da lacost, prometo em nome do crescimento desordenado de Manaus, vou dar a volta por cima.


Não vou sentir vergonha , porque o tempo não está condenado.


Odeio nihilistas que vêem e não aplicam o que realmente é.

quinta-feira, março 13, 2008

ao Sr. Cofferman

Hoje o dia amanheceu meio frio da noite de ontém, com o sol saia ainda preguiçoso, mas ainda sim frio, dava pra se notar na velocidade com que as nuvens se moviam lá em cima na imensidão do céu cinza, e ele diz ao celular "você é uma péssima referência no escritório", foi como se esta paisagem que já era cinza escurece seus tons chegando ao negro das fumaças dos ônibus que por ali passavam, foi como se eu desse de frente com um muro de concreto maciço, mas tudo bem jurei comigo mesmo, que vou voar, a questão de reagir numa situação destas chega até ser dificil pra mim.

A farsa do meu canto, ainda ontem cruzei com ele Mr. Cofferman, meio negligente com seus cabelos e caspas,mas ele sabe tão bem quanto eu que aquilo que esta externo já morreu, tudo começou quando o perguntei:” você viu?” ele disse sim, e deram adeus, foi assim que levantamos vôo até altas madrugadas, companheiros de alta luz, tentamos convencê-la, mas havia interferência, muita interferência química, química e pesada, então Mr. Cofferman bailava tal qual pensamento de Cordel, enquanto eu cumprimentava pela vigésima segunda vez o cidadão de vermelho, o qual depois de tantos apertos de mão, esqueci o nome, enquanto se formavam matrizes e alguns limites de Xs na minha cabeça, quando Mr. Cofferman afirmou ter tudo antes, mas naquele momento não tinha mais nada, mas eu disse insistente a ele que Nada não pertence a nada, porque de mim não resta mais nada tudo está com ela, quer dizer quase tudo, tem dias que me transformo em cão raivoso, e isso não fica com ela, porque eu não sei onde isso se encontra ou se perde dentro de mim, naquele dia em que um novo personagem, mais calado e preso dentro de si se apresentava, eu e Mr. Cofferman, discutíamos quando eles aqueles que demos adeus, iam voltar de novo, foi quando Mr. Cofferman disse olha se eles passassem mais rápido iam arrancar os meus olhos, o outro senhor calado e preso dentro de si, achava aquilo tudo muito estranho, muito confuso, porém ria um sorriso desconfiado, incluso por lacunas de silêncio e observação, enquanto nós eu e Mr. Cofferman, ouvíamos Rammstein, se bem que eu estava a resolver os alguns limites, mas pensei comigo e com o limite infinitesimal aonde que tudo isso vai dar, pois é impossível adivinhar o que mais vai ser calculado ou lido pelos meus olhos quando as coisinhas passarem de novo dando adeus, se ontem fui um cão raivoso, quando eu a ver posso ser um foca besta, tal qual aquele robô que faz companhia pra uns japoneses metidos a anti-sociais, deviam ir se tratar lá no zumbi, mas eu e Mr. Cofferman temos asas que voam diferentes entre si mas apesar da diferença voamos mais velozes que a transmissão de um pacote de luz na fibra ótica, que o Daniel Gomes nosso professor de física 1, não afirmou tal fórmula, até porque isso é física quântica, porque depois do fim a gente reconstrói a construção sempre, a verdade minha é que eu acho tudo mesmo quando tenho nada pra fazer, vários posts passaram pela minha cabeça, muitos mesmo, mas dei esta abstinência de mim durante este tempo, porque as coisas quando estão cheias de tudo precisam de nada, logo eu me esvaziei, mandei uma mensagem pro celular dela e ela repentinamente se encarregou de jogar aquilo tudo de ruim fora em algum lugar, agora estou pronto pra guerra, sim porque eu sou a guerra, guerra tranqüila é bem certo mas o meu papel é guerrear, a morte que se encarregue do fino do trabalho, o meu é o sujo, eu fomento coisas e a morte em sua glória seca, vai colhe os louros desta época ruim, ou seria uma época boa, não sei bem ao certo a verda é que esta noite fina, já está acabando e o senhor calado e preso dentro de si, me ofereceu carona, junta daquela quimicamente pesada, e fomos todos pra casa, neste entrelaço é bom salientar aqui que me perdi do Mr. Cofferman, ele cruzou algum corredor, apesar de tê-lo visto caminhando indo deitar no seu ninho de lama e paz que ele mesmo cita em seu apocalipse, e nos perdemos durante longos cilcos de horas, até recomeçarmos com : “você viu?” – “sim”, talvez temos muita sorte de termos asas enormes e discos voadores.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

nem vou ver mais...


fiquei feliz, chorei de novo, acho que eu estava precisando chorar, engraçado eu vinha no ônibus ouvindo Los Hermanos e Vinicius de Moraes, quando o meu coração ficou pequeno, há tempos não ouvia os dois, fui invadido por um sentimento que até agora, enquanto escrevo estas linhas surdas, não sei bem definir do que se trata, mas a medida em que os meus olhos iam sofrendo a distorção causada pelas gotas de lágrimas, eu me emocionava mais, não foi nenhuma musica específica, que falava de alguém, não sei o que foi, vai ver meu coração estava transbordando de agonia por culpa destes dias malditos, bem e agora eu pergunto a mim" como vai você? vai assim calado retirando sorrisos seus e alheios, anda mais devagar, pois as suas pernas nunca foram de passos rápidos, como você forçou a ser até ontem, nestes dias que se seguiam programados?", é verdade muita gente se adequa rápido, eu não, mas não sei porquê isso acontece, você sofre com os olhos, parece que não consegue se abandonar, quando vê, está voando, a beira de um porto qualquer, chorar é bom demais, apesar de eu ter vergonha de chorar na frente dos meus queridos, Coração você sabe disso, hoje eu aprendi que o meu coração responde melhor ao que é de lágrima, eita vida feliz, é pra se atirar mesmo, eu estava me consumindo aos poucos, buscando em mim o que em mim não havia mais, pra onde será que deve ter ido? só sei que voltou, é foi incrível me reencontrar novamente, numa cadeira de ônibus, lotado, vento no rosto, a área verde daquele condomínio, e as lágrimas no rosto, a moça ao meu lado questionava a minha aflição agarrada à sua bíblia, recriando dentro dela a sua personalidade que o pastor daquéeela igreja, tomou o que havia de bom, em nome do SENHOR é claro, chorei sim, de soluçar, não por culpa de falta da maturidade, chorei de alivio, pois a pior coisa pro meu eu, seria ficar assim abandonado, ter mãos e cabeça em bom estado e alma vazia, mas eles voltaram a me povoar, desci do ônibus rindo feliz da vida, com um novo ar, com a cabeça cheia de ideias pra conquistar este mundo infinito dentro desta minha cabeça louca...cheia de desapego, meu coração está de volta, agora eu vou analisar bem o que ficou fora de lugar enquanto estive fora, eu não vejo a hora de sentar num bar, eu e meu coração desfrutando do tempo quietos, ali um sentindo o que o outro sente, novamente, despreocupados, sem dramas, sem dor, sem se esconder de nada em nada, sem se sentir vazio, só nós e nossos quais e porens, agora posso ouvir as coisas de novo, elas não precisam ficar gritando aqui dentro, agora elas cantam sem prejudicar a voz, sem rasgar a garganta, pensar... em sonhar o que é impossível de saber, não sei mais nada, sinto agora que em tudo que eu piso voa, "oh Deus do tempo dai-me Luz!!!"


terça-feira, fevereiro 26, 2008

agora que você foi embora...


por um minuto uma vez duvidei de você, eu sabia o tempo todo o quanto isso dói sabe duvidar de você, mas duvidei do meu eu mesmo, tenho cometido falhas, eu tenho lido algumas coisas no jornal, parei de ler pela metade uns livros que vinha lendo, agora cálculos e cálculos e cálculos, a me rodear, to me sentindo frio como uma placa pci queimada no fundo de um depósito a espera que alguém esquente com um ferro de solda a 889 graus celsios, estou me sentindo pobre, apático com tantos números, é como se poesia fosse embora, estou ficando cego, tenho medo que isso seja definitivo, eu vejo poesia no caminho, mas ela esta indo muito mais rápido que os meus passos, mas tudo bem, isso deve ser nuvem passageira, outros pedaços vão embora mais tarde em delírio, e eu loucão de sono, nas madrugadas não vou acordar mais com aquelas sensações estranhas como se acabassem de me tirar algo, escrever isto esta se tornando uma caça aos poemas que fogem sorrateiros, as vezes acho que preciso me jogar num infinito de dor pra voltar a escrever, mas não quero trocar a minha tranquilidade por tormentos avulsos, já não basta o tempo, incompreensível, impactante, que me faz correr como um louco, que me leva os minutos nos quais eu tento por em sincronia os meus pensamentos com a velocidade das minhas mãos, que em desespero ponho de lado de forma cruel as melodias que gritam dentro da minha cabeça, cabeça dispersa, tropeçando no ar, e agora cadê você, porque você não me manda uma mensagem ao celular, por que não leva o celular consigo, porque você me abandona aqui com o tempo e os cálculos, são quase quase horas de tocarem aqueles sonetos, o epitáfio da minha inspiração já foi encomendado será? tenho pena de mim, sem as minhas palavras, tenho ânsia de mim, quando voltar a dedilhar as coisas, por agora eu relembro momentos, eu não tenho mais noites no Castelinho, e agora? o que eu tenho, gosto da "urbanidade" daquelas cenas, o que eu tenho agora? estou ficando cego, fraco, e pacientemente estou acostumando a minha alma com uma perda fatal de inspiração...preciso me mudar de mim...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

até breve


por favor... não me interrompa hoje eu vou levar a minha alma pra ouvir musica, vou voar com ela para um lugar secreto onde só quando eu fecho os olhos, eu consigo enxergar, eu vou vou sair na chuva, caindo pelas poças de lama, vou me distanciar de mim, mas estarei sempre por perto, quero escancarar a minha carcaça nos muros podres das velhas ruinas, sim eu quero ver meu sangue escorrer, quero me ver morrer, quero me despeçar em bolas de sangue, em poças de dor, quero ver meus dentes espalhados pelo meio do caminho, se Fidel é a farsa estadista, Amazonino é o quê? por isso eu levo hoje minha alma pra escutar musica, não posso deixa-la ouvir estas coisas, apesar do exagero comunista socialista, exageros estão sempre ae, a humanidade está até a tampa de exageros piores, e ninguém nunca toma atitudes a não ser sentir pena, agora a esta altura do campeonato, você me fala de liberdade, que liberdade é essa, onde o seu celular regra a sua vida, onde relógio marca a cada passo frio que você dá na rua? estamos vivendo um verão chuvoso mesmo, mas não de chuva boa, estamos vivendo verão de chuva cega, por isso deixo meu corpo alguns dias, perdendo dentes, sofrendo cortes, perdendo braços, olhos e vou levar a minha alma pra dar um volta, vou deixar ela debaixo do chuveiro por um tempo, é muito fácil observar a queda dos outros, porque todo mundo quer ver sangue, mas ninguém é louco de cortar a própria pele, por isso eu deixo o meu corpo lá se debatendo nas pedras um pouco, se todo mundo pode ver eu também quero vê-lo eu e minha alma compramos ingressos vip, só pra isso, pra vê-lo se debandar em poesia satânica, pra ver suas entranhas voarem, por agora saímos para manuntenção eu e minha alma.... por favor entenda.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

saudades...


"eu estou muito cansado do peso da minha cabeça, destes dez anos.. passados... vivi entre o sonho e som", assim disse Belchior ontem quando eu acabara de escrever o tópico passado, eu fui ontem pra casa com uma sensação amarga, estranho quando jogam você no fogo pelo simples fato de ver você queimar, aí você chega ao consenso da hora certa de saber parar, a hora certa quando todo mundo resolve fazer uma coisa e você sabe deus porquê razão, faz outras, faz do seu jeito, do seu certo, pois viver é um grande perigo barato ao mesmo tempo que pode ser o mais espetacular dos furacões, o meu lugar é onde eu quero estar, tenho pressa de viver, apesar de aparentar cansaço, tenho muita pressa de viver, mas quero viver a vida lentamente, como goles de um veneno profano, como doses anestésicas sutis, agora é hora de falar pra vida pisar devagar, guardar uma frase pra mim dentro daquela canção, um golinho destes dias que você vida, me toma, sim é hora de parar, foi o tempo em que os meus ossos agüentavam o impacto das correntezas, que eu vivia intenso, que eu estava bem demais acompanhado do meu falso eu, mas deixe tranqüilo não levemos nós flores para as covas inimigas, porque o dinheiro é cruel e as coisas fúteis são fortes como os abismos, mas destes abismos já estou me afastando, lentamente como vegetação que cresce na várzea, esperando o rio na próxima cheia, com os pés cansados e feridos de sentir o frio do asfalto, com a garganta seca de gritar em meio a distorções da guitarra, agora só violões por favor..agora só a cabeça permanece elétrica, o coração acústico, uma coisa de cada vez...porquê o inimigo , este eu já conheço,sei seu nome, sei seu rosto,residência, endereço e um dia você vai saber também se já não sabe... porque mais uma vez Belchior me disse “ a minha história é talvez igual a tua, a noite fria me ensinou, da certeza de que tenho coisas novas pra dizer”

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

as dores no peito já diminuem

Há tempos atrás eu não sabia o que fazer... não sabia como lidar com as perguntas que me rodeavam, não sabia como eu poderia resolver aqueles problemas daquelas épocas, hoje a dor do peito já é bem menor, naquela época eu escutava tudo o que todo mundo dizia que era legal, e o pior eu achava legal também, aí como um turbilhão de coisas em paranóia, aqueles problemas mudaram, o desabamento da família, as tendências maliciosas que nos acompanham, mais uma série de pequenas complicações que eram somadas pouco a pouco, foram se tornando o grande Godzilla da minha vida, sem levar em conta aqueles olhares de desprezo dos familiares, poxa.. aquilo era pior que sentir dor de dente de madrugada, aí sem querer sem você saber como aquelas coisas foram mudando, você mudou e nem viu ao certo como isso aconteceu, sem perder a sua essência, sem mudar o seu coração, agora Augusto, parece que chegamos às ultimas carteiras de cigarro, as ultimas doses de irresponsabilidade, engarrafadas naquelas embalagens vagabundas, hoje você construiu o castelo que o seu Coração queria, você parece mais vivo, ainda é de recordar aqueles dias escuros que a gente se reunia sem causa, sem propósito nenhum, no meio de tudo, em meio à tudo, passamos imunes, sem perder a cabeça continuamos malucos, estamos num topo de improváveis, a verdade é que me sinto velho... mas não cansado, perdi alguns amigos durante esta caminhada nebulosa, muitos ficaram perdidos nas escolhas das esquinas, mas alguns que não estavam com você, como você souberam dobrar na rua certa, parar na hora certa, se abrigaram na sacada perfeita, quando a chuva engrossou, chuva à noite no centro de Manaus é perigoso, ouço o Sandro falando dos festivais do Olímpico, coisas que só quem andou pela época, quem sentiu sabe o que foi, que quem era roqueiro era doidão, chapadão, drogadão, mal elemento, sabe, vejo que hoje em dia ser roqueiro como a gente foi é muito mais fácil, o que ficou mais difícil, agora, é segurar a onda como nós seguramos Augusto, Sandro, Paulinho (Amigos), naquela época a gente realmente se emocionava com o que ouvia, com o que sentia naquelas reuniões na velha praça do congresso, agora tudo é moda, mas ainda assim agradeço aos malucos da periferia, que vem de longe só pra sentir o que naquela época agente sentia também, mas quanto ao resto, é só pra aparecer, não vai durar muito, ou a intensidade é demais ou fica fraca que não vai se agüentar na cama, quando a dor desta ressaca chegar, e aí doidão? quem vai pagar com isso? é bom pensar nisso, eu já passei por isso, e descobri que estas pessoas que eu citei que somos enormes, como um caminho tranqüilo agora, foram dez anos inesquecíveis....